O Fetiche em Trauma no Filme They/Them

Aparentemente, se satisfazer com a dor negra não foi o suficiente, “evoluindo” a mídia de “pornografia de trauma negro” ao trauma LGBTQIA+ também. O recém lançado “They/Them”, filme da Blumhouse Productions, escrito e dirigido por John Logan, se vende como um slasher*, mas de seus 104 minutos de tela, 60 são de pura LGBTQfobia.

O nome do filme em inglês traz um trocadilho engraçado, o que animou a comunidade; e sua premissa é a seguinte: “Um grupo de adolescentes em um acampamento de conversão LGBTQ+ suporta técnicas psicológicas perturbadoras enquanto é perseguido por um misterioso assassino mascarado.”

O início do filme ambienta a dor das pessoas presentes no acampamento, mostrando como, apesar de a equipe tentar aparentar um pensamento não tão conservador, não passam de pessoas LGBTfóbicas tentando curar algo que não precisa de cura.

No entanto, o filme fica nisso. Não acrescenta em nada, não faz nenhuma crítica, não levanta nenhum questionamento. Espera-se uma violência vinda dê assassine, mas tudo o que se recebe é agressão a um grupo marginalizado sem qualquer razão. É apenas um festival de torturas psicológicas e físicas, com um final sem sal para justificar sua classificação como filme de horror.

O filme é mais uma prova de que uma representação vazia não é verdadeira representatividade. Podendo trazer algo inovador para os cinemas, aproveitando um gênero com um grande histórico de influência queer, o longa dá um tiro no próprio pé, sendo apenas mais uma obra que agride a comunidade. Ele mira alcançar Jordan Peele, mas sua semelhança se limita a extremistas e LGBTQfóbiques. São 104 minutos da sua vida que você pode poupar.

*Slasher é um subgênero de filmes de terror quase sempre envolvendo assassinos psicopatas que matam aleatoriamente.


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