Anti-Indigenous Racism

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Racismo anti-indígena é o nome dado a qualquer forma de discriminação contra pessoas indígenas baseada em sua ascendência. Tal violência se originou durante o período de colonização, e sua permanência é consequência direta do genocídio e da escravização indígena praticada pelos colonizadores.

Assim como outras formas de discrimina√ß√£o, o racismo anti-ind√≠gena se estabelece desde as mais b√°sicas estruturas sociais. Na l√≠ngua, por exemplo, termos como ‚Äú√≠ndio‚ÄĚ e ‚Äútribo‚ÄĚ s√£o normalizados, apesar de terem sido criados e utilizados pelos colonizadores para primitivar e subjugar as sociedades origin√°rias. 

Dentro das ciências sociais, essa violência sistemática é dividida em três processos gerais: colonialismo de povoamento, apagamento histórico e apropriação cultural. Cada um desses pilares reforça o caráter estrutural do racismo contra povos indígenas.

O colonialismo de povoamento se d√° pelo roubo de terras ind√≠genas por parte de um grupo colonizador para habita√ß√£o. S√£o colonos n√£o s√≥ aqueles que tomaram terras ind√≠genas no passado, mas todas as pessoas n√£o-ind√≠genas que fazem uso desses espa√ßos no presente ‚Äď com exce√ß√£o de pessoas racializadas que tamb√©m sofrem com o colonialismo.

O apagamento histórico é a eliminação da participação de povos nativos na história de um local, criando-se uma invisibilidade sobre suas pautas, lutas e violências. Assim, pessoas não-nativas substituem tais apagamentos da história com estereótipos e tropos racistas, dificultando debates sobre os legados da identidade indígena.

A apropria√ß√£o cultural envolve o uso de um elemento de uma cultura por outra cultura, deturpando seu significado ao retir√°-lo de contexto. Usar vestimentas originalmente ind√≠genas como fantasias e explorar pr√°ticas culturais com fetichismo s√£o exemplos desse processo. √Č uma forma direta de esvaziar e capitalizar identidades origin√°rias.

Dados esses fatores, as comunidades ind√≠genas se tornam mais suscet√≠veis a serem v√≠timas da brutalidade policial, discrimina√ß√£o legislativa, viol√™ncia sexual e abusos de subst√Ęncias. Durante a pandemia da COVID-19, os ind√≠genas foram um dos grupos mais sensibilizados gra√ßas √† omiss√£o estatal ‚Äď profissionais de sa√ļde espalharam o v√≠rus por comunidades, garimpeiros e grileiros aumentaram as invas√Ķes de terras e ind√≠genas se contaminaram buscando aux√≠lio emergencial em munic√≠pios.

No Brasil, logo no in√≠cio de 2020, a FUNAI ‚Äď principal √≥rg√£o p√ļblico na defesa dos direitos de povos origin√°rios ‚Äď suspendeu a√ß√Ķes assistenciais para comunidades e ignorou as a√ß√Ķes ilegais de invasores, permitindo legalmente que eles permanecessem nas terras ind√≠genas. 

J√° a SESAI ‚Äď organiza√ß√£o respons√°vel pela sa√ļde ind√≠gena ‚Äď estabeleceu um plano de conting√™ncia gen√©rico, orientando profissionais a n√£o fazerem o teste para comprovar o coronav√≠rus. A institui√ß√£o tamb√©m negou atendimento a ind√≠genas de regi√Ķes municipais, atendendo apenas aqueles presentes em comunidades. O primeiro ind√≠gena com coronav√≠rus foi infectado por um m√©dico da SESAI.

Essa √© s√≥ uma parcela do genoc√≠dio ind√≠gena que ocorreu durante a pandemia e continua a acontecer por inefic√°cia estatal e omiss√£o social. At√© mesmo dentro das lutas antirracistas, as pautas ind√≠genas s√£o negligenciadas e tidas como terci√°rias. Apenas a legisla√ß√£o n√£o √© suficiente para modificar tal situa√ß√£o. √Č essencial a cobran√ßa e pr√°tica ativa pelas for√ßas p√ļblicas e pela popula√ß√£o n√£o-nativa.


Referências: