Filmes brasileiros que possuem premiações internacionais

O cinema brasileiro é recheado de todos os tipos de artes, gêneros e propostas ricas dentro do campo audiovisual. Mesmo que seja muito conhecido pela produção de comédia, o Brasil já conquistou muitos prêmios através do drama, obra de época e também ação — mostrando ter uma capacidade riquíssima em retratar realidades cruas através de críticas sociais complexas. 

Dito isso, que tal parar um minutinho para conhecer alguns dos filmes brasileiros que receberam premiações internacionais?

Segue o fio!

O Pagador de Promessas, 1962 – Cannes

Na imagem, há um homem de expressão séria e exausta carregando uma grande cruz de madeira nos ombros, presa com grossas cordas. A cena, em preto e branco, mostra-o de perfil, com o rosto parcialmente sombreado pela luz intensa. Ao fundo, há uma construção.
Reprodução: UFMG.

Escrito e dirigido por Anselmo Duarte, O Pagador de Promessas conta a história de Zé do Burro, um religioso residente no interior da Bahia, na região Nordeste do Brasil. Quando seu melhor amigo — um burro chamado Nicolau — adoece, Zé vai até uma Mãe de Santo candomblecista e faz uma promessa: caso o burro se recupere, ele dividiria seu pedaço de terra entre os mais pobres e carregaria uma cruz de madeira até a Igreja de Santa Bárbara, localizada em Salvador, percorrendo o trajeto de sua residência até lá completamente a pé. Quando Nicolau finalmente se recupera, ele dá início à sua jornada. Demonstrando a intransigência da Igreja e os conflitos inter-religiosos ainda profundamente presentes no país, o filme transcorre inteiramente no mesmo dia e, majoritariamente, no mesmo local — as portas da Igreja de Santa Bárbara. Em 1962, o longa-metragem ganhou o prêmio a Palma de Ouro no Festival de Cannes. 

Central do Brasil, 1998 – Urso de Ouro

A imagem é uma cena colorida mostrando uma mulher idosa e um menino de mãos dadas, posando diante de um altar decorado com luzes coloridas, fitas e imagens religiosas ao fundo. Entre eles, há uma estátua vestindo batina preta com faixa vermelha. Ao lado, dois bonecos de tamanho quase real, loiros e com roupas coloridas, estão próximos a cavalos de brinquedo. O cenário remete a uma feira de rua popular.
Reprodução: TechTudo.

Dirigido por Walter Salles, Central do Brasil foi lançado em 1998 e recebeu aclamação internacional, sendo indicado para diversos prêmios. Protagonizado por Fernanda Montenegro, a atriz dá vida à Dora, uma professora aposentada que encontrou na escrita uma forma de trabalho: elaborando cartas para pessoas analfabetas que desejam enviar algum recado. Ela faz isso na Estação Central do Brasil, localizada no Rio de Janeiro. Nessa situação,  conhece Josué e sua mãe, que buscava os serviços da aposentada para enviar uma carta ao pai do menino. Ao sair da estação, a mãe de Josué é atropelada e falece. Diante disso, Dora decide ajudar Josué a encontrar o pai, partindo com ele em uma viagem inesperada e recheada de acontecimentos até a região Nordeste. Central do Brasil rendeu ao Brasil o prêmio do Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim, na Alemanha, em 1998. 

Tropa de Elite, 2007 – Urso de Ouro

Na imagem, há um homem vestindo uniforme policial preto e boina preta com emblema, segurando um fuzil com as duas mãos. Ele tem expressão séria e olhar voltado para o lado, aparentando estar em alerta. No uniforme, há um patch no braço. Ao fundo, um muro de tijolos e cimento em ambiente urbano.
Reprodução: Revista Ensaio Geral. 

Retratando duras realidades, Tropa de Elite, dirigido por José Padilha, mostra, a princípio, o papel de ação urgente do Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro (BOPE) para assegurar o bem-estar físico do Papa — tentando manter o clima hostil o mais apaziguado possível antes da chegada da Santidade, que faria estadia na capital carioca por um curto período durante a visita ao Brasil. Para além disso, o longa-metragem aborda a corrupção policial como ação praticamente institucionalizada e impunitiva. No caso, a ação das milícias. A narrativa é carregada de tensão, ação e verdades que, muitas vezes, podem se tornar sangrentas. Tropa de Elite foi vencedor do prêmio Urso de Ouro, no Festival de Cinema de Berlim, na Alemanha, em 2008. 

Que Horas Ela Volta, 2015 – Prêmio Ariel 

A imagem é uma cena ao ar livre, em um jardim ensolarado, mostrando duas mulheres conversando. À esquerda, uma jovem de expressão séria veste regata cinza e jeans. À direita, uma mulher mais velha, de óculos e cabelo preso, veste blusa listrada clara e segura uma mangueira da qual jorra água. Ao fundo, há árvores e espreguiçadeiras brancas.
Reprodução: CDCC – USP.

Dirigido por Anna Muylaert, Que Horas Ela Volta? demonstra a sensibilidade e, ao mesmo tempo, a dimensão das desigualdades sociais — principalmente de classe — quando dá ao telespectador as vivências e experiências de Val, personagem interpretada por Regina Casé. Na trama, Val deixa Pernambuco, sua terra natal, e também sua filha, Jéssica, que fica sob responsabilidade de outros parentes. Ela se torna babá e funcionária de uma família de classe alta em Morumbi, em São Paulo. Lá, cria o filho deles, Fabinho — sim, cria. E é a partir daí que um retrato tão real, tão comum, é posto em perspectiva através de planos-sequência e diálogos intimistas. E  até então, “amizade” e “família” construídas com os patrões são abaladas quando Jéssica vai até São Paulo após ser aprovada na USP — e Fabinho não. 

Aquarius, 2016 – Festival de Cinema de Sydney

Na imagem, uma mulher caminha por um corredor estreito, com uma parede azul à direita e uma cerca viva à esquerda. Ela veste blusa de mangas brancas com a parte frontal preta e saia longa marrom. Seus cabelos estão presos e ela olha para cima, em direção à luz. Ao fundo, há uma área externa iluminada, com árvores e calçada.
Reprodução: Medium. 

Dirigido por Kleber Mendonça Filho, Aquarius conta, de forma intimista, a narrativa de vida de Clara, personagem interpretada pela atriz Sônia Braga. Escritora e crítica musical, Clara vive seus dias em um apartamento localizado no edifício Aquarius, que dá nome ao longa — situado na orla da praia de Boa Viagem, no Recife. Acontece que Clara é a única e última moradora a residir em um apartamento que não foi vendido à empreiteira que planeja demolir a construção do edifício e construir outro no lugar. A protagonista irá lutar pelo lar que construiu e tomou forma ao longo de sua vida: o crescimento de seus filhos, a criação de sua família e seus momentos mais vulneráveis. Aquarius foi vencedor da categoria de Melhor Filme no Festival de Cinema de Sydney, na Austrália, em 2016. 

Ainda Estou Aqui, 2024 – Oscar 

Na imagem, há uma mulher de expressão séria que olha diretamente para a câmera, com o rosto levemente iluminado em um ambiente interno de luz suave. Sua expressão é séria e ela tem lágrimas nos olhos. Ela tem cabelos castanhos curtos, usa brincos discretos e camisa verde-escura estampada. Ao fundo, desfocado, vê-se um cenário com mesas, cadeiras e tons de verde predominantes na decoração.
Reprodução: Tela Mania. 

Dirigido por Walter Salles, Ainda Estou Aqui é uma obra histórica dramática que narra o período que ficou marcado pela Ditadura Militar, em específico, na vida de uma família classe média-alta residente do Rio de Janeiro. Baseado em fatos reais, o longa-metragem é protagonizado por Fernanda Torres e sua mãe, Fernanda Montenegro, que interpretam Eunice Paiva — mais jovem e mais velha, respectivamente. Eunice era casada com Rubens Paiva, um engenheiro civil e ex-deputado e, com ele, tinha cinco filhos. Quando seu marido é levado para “dar um depoimento” e não retorna, — mesmo quando Eunice e uma de suas filhas são levadas pelo mesmo motivo e passam por situações completamente traumatizantes —, a mulher inicia uma luta para tentar provar o assassinato de Rubens pelas mãos dos militares. Carregado de força, resistência e fatos históricos criminosos que deixaram marcas que nunca serão apagadas, Ainda Estou Aqui levou o prêmio de Melhor Filme Internacional do Oscar, em 2025.


Referências


Ficha técnica

Escrita: Nunu Pítaro
Leitura crítica: Viktor Bernardo Pinheiro
Revisão: Jéssica Larissa O.S. e Déborah Ramos