Amatonormatividade

Arromântica: Pessoa que experiencia falta total, parcial ou condicional de atração romântica

Alloromântica: Contrário de arromântica; pessoa que experiencia atração romântica de um modo socialmente esperado.

Amatonormatividade é a crença de que qualquer pessoa sente atração romântica ou deseja relacionamentos românticos, sendo levada em conta a cisnorma, a heteronorma e a monogamia. O termo foi criado pela professora Elizabeth Brake em 2016, para descrever as pressões que sofria para se casar, algo que ela não desejava fazer. 

Ê psicoterapeuta e especialista em estudo de gêneros Meg-John Barker, que estudou sobre o tema, chegou a afirmar que em nossa cultura é muito comum as pessoas colocarem uma ênfase muito grande em relacionamentos românticos acima de qualquer coisa. 

Apesar de afetar muitas pessoas arromânticas, não é uma pauta exclusiva da comunidade. A amatonormatividade afeta qualquer indivíduo que não se encaixe no socialmente esperado acerca de relacionamentos. Isso inclui: solteires que não querem namorar, casar ou ter filhes, pessoas que têm prioridades em outros tipos de relacionamento e poliamoroses, que fogem da norma monogâmica imposta.

A imposição dessa crença e pressão é imposta ainda às crianças. Desde o nascimento a sociedade espera que você queira um tipo específico de relacionamento, e o não seguimento desses padrões traz uma reação discriminatória.

A mídia empurra diariamente essa norma. Canções românticas, filmes que implicam na existência de um par perfeito, livros que trazem representações irreais do que é o amor.

Toda essa coerção causa a infelicidade e leva pessoas a se envolverem em relacionamentos indesejáveis, forçados, que podem a vir, inclusive, a se tornarem abusivos. Seus corações se partem e o pensamento de que não podem morrer sozinhas toma conta da mente, trazendo ansiedade. Acaba gerando um efeito dominó, especialmente se juntados a outros fatores como allonormatividade e heterossexualidade compulsória.

Ê doutore Baker, que é neurodivergente, aborda sobre como a amatonormatividade afeta sua própria vida, afirmando que “é muito complicado porque em muitos relacionamentos românticos, as pessoas tem dificuldade de nos compreender, não nos dão muito espaço ou tempo sozinhes, e pode ser muito intenso para nós”. 

É importante saber que, apesar de toda essa pressão de ter ou desejar relacionamentos ser algo constante, há várias pessoas que passam a mesma coisa todos os dias, e pode ser de grande ajuda compartilhar as experiências que você passa e mostrar que não há nada de errado em não querer se relacionar. 

Aliás, é importante lembrar que também não há nada de errado em desejar romance, relacionamentos e similares. O importante é você saber o que lhe agrada, não o que as outras pessoas esperam que te agrade. Lembre-se que há diversas formas de amar e ser feliz, seja através de uma amizade, um emprego, uma causa ou qualquer outra forma que você queira se expressar, e o que você precisa fazer é estar atente e respeitar os seus próprios limites.


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