Disforia de Gênero

O conceito de gênero na sociedade cisnormativa — e, consequentemente, binária — parte de um conjunto de fatores. Determinadas características são associadas a determinados gêneros, e essa ideia é cultivada na mente humana desde os primeiros momentos. 

Assim, tem-se internalizado que é preciso ter característica X ou não ter característica Y para que seja, realmente, de um gênero específico Z. Não se encaixar nesses padrões causam o que é hoje conhecido como disforia de gênero.

Como tudo relacionado à comunidade Lgbtq+ é vilanizado e tratado como uma patologia, com a disforia isso não é diferente. Até a CID10 (10ª Classificação internacional de Doenças), a disforia de gênero era considerada como um transtorno mental. Em 2018, houve a mudança para incongruência de gênero. Segundo a OMS, não se trata de um transtorno mental, mas o termo não foi retirado totalmente da CID, porque ainda há a necessidade de garantir atendimento às demandas da população trans.

Dentro do conceito de disforia de gênero, é possível identificar alguns tipos de disforia:

A disforia corporal trata justamente do desconforto sentido em relação a determinadas partes do corpo, podendo variar. Algumas pessoas a sentem com coisas mais explícitas, como genitálias, que são um dos principais fatores que determinam o gênero na atual sociedade cisnormativa. Além disso, fatores que parecem ser menos significantes também podem trazer esse mal estar, como tamanho da cintura, tamanho do pé, marcação do maxilar, período menstrual e dentre diversos outros fatores que, de uma maneira um tanto quanto bizarra e eurocêntrica, são associados a gênero.

Ainda, essa disforia pode ultrapassar apenas características propriamente físicas, podendo envolver questões como expressão de gênero e até mesmo hormonização. Essas duas questões dividem conflitos, visto que algumas pessoas acreditam que se encaixam na disforia corporal, enquanto outras acreditam que se tratam de dois novos tipos de disforia. De qualquer forma, o fator em comum é o desconforto de gênero imposto sobre as pessoas trans.

E a disforia social, por fim, parte de como a sociedade te enxerga. Fatores como os pronomes que pessoas — especialmente desconhecidas — utilizam com você, o nome e entre outras coisas que envolvem a aceitação social. Muitas vezes, a disforia social é o que abre as portas da disforia corporal — e das disforias de expressão e hormonal —, visto que a pressão externa é o que leva a mente humana a associar certa característica a um gênero.

Como solução para a disforia de gênero, existem certas tecnologias. O uso de bloqueadores e o tratamento hormonal é uma solução que engloba tanto pessoas trans designadas homens (amab) quanto pessoas trans designadas mulheres (afab). Outros procedimentos variam de acordo com a pessoa e necessidade, havendo o uso de binderes ou a realização de mamoplastia masculinizadora, o uso de calcinhas específicas para aquendar — disfarçar o volume causado pelo pênis —, cirurgias de readequação genital e dentro outros. As duas melhores técnicas para se livrar da disforia, no entanto, é compreender que corpos trans existem e que ser trans não te faz menos do teu gênero, e se cercar por pessoas que compreendem a tua pauta, especialmente pessoas trans.

Em contrapartida à disforia, tem-se o que é chamado de euforia de gênero. O termo conceitua o exato oposto de disforia: positividade e alegria a algo que reafirma o seu gênero, seja de maneira pessoal, se sentindo confortável consigo mesme, ou de maneira social, tendo o seu gênero reconhecido por terceiros.

Tanto a disforia quanto a euforia de gênero possuem um foco na comunidade trans, sendo termos que exemplificam sentimentos em comum. No entanto, não são parâmetros para a transgeneridade, podendo existir pessoas trans que não sentem disforia ou que não sentem euforia de gênero.

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