Bifobia na Comunidade LGBTQIA+

Desde o início de sua luta, a comunidade bissexual busca afastar-se dos estigmas de que é uma sexualidade “indecisa”, “promíscua” ou “infiel”, e isso não se limita somente às impressões que a heteronormatividade tem sobre a bissexualidade, mas envolve também preconceitos dentro da comunidade LGBTQIA+.

É possível ver na comunidade a visão negativa de que a existência bissexual é uma maneira de inserir pessoas “heterossexuais” no meio LGBTQIA+ e/ou confundir a mente de gays e lésbicas, impedindo que se aceitem como homossexuais — discurso que parte da premissa de que bissexualidade não existe verdadeiramente, sendo apenas uma indecisão.

Muitas vezes, procura-se medir o quão bissexual ou quanto uma pessoa bissexual pode fazer parte da luta, analizando ês parceires desta pessoa  — o que acaba sendo incoerente, uma vez que, em relacionamentos monogâmicos, a pessoa seria rotulada como hétero ao se relacionar com alguém do gênero “oposto” e de homossexual ao se relacionar com alguém de mesmo alinhamento de gênero —; se já sofreu algum tipo de violência — física, sexual, moral, social ou doméstica — apenas por ser bissexual, ainda que o próprio ato de questionar e julgar a sexualidade de alguém já seja violento; se já foi retaliade por namorar alguém do mesmo gênero e entre tantas outras desculpas para invisibilizar a identidade.

Entretanto, a atração por mais de um gênero não é algo que foge da normalidade, e todas as possibilidades de relacionamento para uma pessoa bissexual se encaixam no conceito da identidade. Cada pessoa experiência sua orientação de maneira diferente e não existe um intermédio que determine alguém como mais ou menos bissexual.

Também presente na comunidade LGBTQIA+ está o discurso de que a bissexualidade é uma orientação binária e/ou invalida a atração por pessoas transgênero. No entanto, desde os primórdios do movimento bissexual, a bissexualidade nunca foi e nunca será uma sexualidade direcionada apenas aos binários de gênero — algo que está exposto até mesmo em seu manifesto — e nem compete com o significado ou com a luta de outros movimentos multissexuais — panssexual, omnissexual, etc. Pessoas trans não apenas são contempladas como parte do espectro de atração da bissexualidade, como também acolhidas pela identidade, podendo se identificar dessa forma, e a afirmação de que a bissexualidade é transfóbica, na verdade, mascara a transfobia e a bifobia das pessoas que a disseminam.

Afirmar que bissexuais não sofrem preconceito também é uma forma de mascarar toda a violência que apenas essa frase pode propagar. Pessoas bissexuais são sempre ditas como “promíscuas” ou “mais propícias a trair”, de maneira que essa identidade — e outras multissexualidades — seja somente associada a sexo, seja com uma ou mais pessoas, ou adultério. Além disso, violência não é e nem deve ser parâmetro de pertencimento.

A aceitação para pessoas LGBTQIA+ não é e nunca foi uma questão considerada pela sociedade; Tudo o que foge da norma cisheteroalloperi é visto como inimigo, mas não se deve permitir que essa visão se insira na comunidade. 

Bissexualidade não é indecisão, bissexualidade não é promiscuidade, bissexualidade não é transfobia. Não é ser metade homossexual e metade hétero, e muito menos não é participar da comunidade LGBTQIA+ tendo “privilégios héteros” — coisa que uma pessoa bi não possui, visto que não é hétero. 

A comunidade LGBTQIA+ deve estar unida por um mesmo propósito: a oportunidade de ser seu verdadeiro eu. 


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