História da Sigla LGBTQ+

Foi nos Estados Unidos que, por volta de 1950, se formou a Mattachine Society, uma organização política semi clandestina de gays e lésbicas que visava a integração dos homossexuais na sociedade, visto que considerava-se que era dado um status socialmente marginal ao segmento. 

A década de 60 foi marcada pela Movimentação Homófila (The Homophile Movement) e o Movimento de Liberação Gay (The Gay Liberation Movement), que se constituem como os primeiros movimentos LGBT.

*Homófilo: Termo utilizado antes de Homossexual, a essa época usado também com pessoas que se atraiam por todos os gêneros.

Em 1968, na França, estudantes fizeram greves contra a divisão de dormitórios por gênero. A revolta estudantil marca o início da “nova esquerda” e inspira os movimentos contra o conservadorismo, além de influenciar o movimento hippie, o movimento negro e provavelmente motivar a Revolta de Stonewall.

Em 1969, no Stonewall Inc, foi quando os LGBTQs perceberam que não precisavam mais ter medo e que deveriam defender-se e lutar pela liberdade de serem quem são.

Os motins duraram dias, com os grupos homófilos pré-existentes, com as Filhas de Bilitis de Nova York [Daughters of Bilitis of New York (DOBNY), o primeiro lugar exclusivamente lésbico de Nova York], a Mattachine Society, Inc. of New York (MSNY) e o Movimento Juvenil Homófilo (HYMN), que se uniram para canalizar uma rebelião em um movimento contra a repressão policial, tendo o MSNY formado o Comitê de Ação (MAC) e, junto com o DOBNY e o HYMN, organizado uma vigília de “poder gay” no Washington Square Park em 27 de julho.

Houveram implicações mundiais causadas pelas centenas de organizações homossexuais que vieram a surgir ao redor do mundo, e alguns dias depois os conflitos durante a vigília seguinte levaram jovens militantes a romper com os grupos homófilos e formar a Frente de Libertação Gay (GLF). Dentre os movimentos que surgiram, estavam:

  • Na Bélgica, o Movimento Homossexual de Ação Revolucionária; 
  • Na Itália, a Frente Unitária Homossexual Revolucionária Italiana (FUORI, ou “fora” em italiano) ;
  • Em Quebec, o Groupe homosexuel d’Action politique (GHAP), 
  • Na Argentina, meses depois do ato de Stonewall, foi fundado o El Grupo Nuestro Mundo, que formou a Frente de Libertação Homossexual da Argentina (FLH),
  • No Brasil, surge o MHB – Movimento Homossexual Brasileiro, por volta de 1978.

Em contraste com os grupos homófilos que pediam ‘inclusão’ na sociedade americana, a GLF tinha uma postura mais revolucionária: exigia uma mudança em todo o sistema, promovendo uma mensagem de inspiração feminista de que a “libertação” só viria com a abolição do capitalismo e seus papéis de gênero e normas sexuais associados.

Dentro do movimento de liberação gay, no início dos anos 70, as lésbicas podiam contestar a sua opressão como homossexuais. No entanto, devido ao sexismo e à diferença entre a definição de libertação entre os gêneros, a comunidade lésbica se sentiu excluída. O libertarismo gay glorificava liberdades que as mulheres viam como opressoras, como a pornografia, ou liberdades apenas para homens, como sexo em lugares publicos.

Esse sentimento de marginalização dentro de um outro grupo marginalizado levou algumas lésbicas a começarem seu próprio movimento. O Lesbian Liberation Movement, ou LLM, começa quando lésbicas da GLF formam a sua própria bancada, no início dos anos 70. Em 1971, lésbicas da GLF UK, com sede em Londres, deixaram o movimento e, em 1973, o LLM também estava em andamento na Austrália e no Canadá.

Após um encontro de Arhus (Dinamarca), em 1972 dezesseis grupos representando dez países juntaram-se para formar uma Internacional Homossexual Revolucionária (IHR). 

Na França, em 1971, um debate ao vivo na emissora de rádio de Paris (RTL) foi interrompido. A discussão tinha como tema “homossexualidade, esse doloroso problema” e possuía convidados como padres, psicanalistas, Frères Jacques e outros. Militantes lésbicas ligadas ao MLF, o Movimento de Liberação das Mulheres, irromperam a sala e obrigaram a estatal a interromper a emissão, tornando a MLF conhecida.

A Frente Homossexual de Ação Revolucionária, FHAR, surgiu alguns dias depois com uma ambição mais radical, propondo uma “revolução sexual”. Algumas lésbicas parisienses, que criaram a Front homosexuel d’action révolutionnaire [Frente de Ação Revolucionária Homossexual (FHAR)], partiram para formar os Gouines Rouges (Red Dykes).

A GLF foi dissolvida e o movimento mudou para uma agenda de direitos mais reformista com a formação da Força-Tarefa Nacional Gay em 1973. Neste mesmo ano, criou-se a Sexuality and Lesbianism Task Force, que iria, a longo prazo, dar uma posição legítima no movimento de mulheres lésbicas americanas.

A articulação de uma identidade lésbica distinta foi muitas vezes necessária, devido às exclusões enfrentadas por mulheres “gays” em organizações feministas e gays, visto que tinham sua presença discriminada com a desculpa de que “prejudicaria os objetivos da organização ao promover a suposição de que todas as feministas eram lésbicas que odeiam homens” e muitas vezes experimentaram sexismo aberto em organizações gays pós-Stonewall, como a GLF.

Ainda assim, até a década de 1990, “gay” era frequentemente usado como uma abreviatura para se referir a todo o espectro de minorias sexuais e de gênero. Esse uso mudou com o surgimento de movimentos bissexuais, transgêneros e queer, dando origem ao inicialismo LGBT de quatro letras, que era visto como mais inclusivo do que se refer amplamente à comunidade como “gay”. Esses movimentos dos anos 90, embora distintos, foram conectados pelo tema comum de questionar e criticar os binários de identidade, como gay/hetero, homem/mulher, masculino/feminino e normas de gênero e sexualidade de forma mais ampla. 

Eles também articularam um senso de identidade que era complexo, fluido e mutável. O termo “transgênero” foi encaminhado e popularizado por ativistas, para criar uma coalizão de pessoas que não se encaixavam perfeitamente nos binários de gênero

A letra “Q” às vezes era adicionada ao inicialismo, alternativamente referindo-se a “queer” ou para incluir aqueles que estavam “questionando” sua orientação sexual ou identidade de gênero, e o + foi colocado para indicar qualquer pessoa que não se encaixasse nesse inicialismo de quatro letras.

Hoje em dia:

Conforme o tempo passa, surgem mais estudos sobre identidades e, com isso, são criadas mais identidades. Apesar do fato de que LGBTQ+ não inclui nominalmente todos os indivíduos em comunidades menores, o termo é geralmente aceito para incluir aqueles não especificamente identificados no inicialismo de quatro letras.

Alternativas:

Existe a versão extendida de LGBTQ+, feita pra tentar incluir mais pessoas na sigla, trazendo assim, visibilidade, sendo LGBTQQICAPF2K+: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis, Queer, Questionando, Intersexo, Curioso, Assexuais, Pan e Polissexuais, Amigos e Familiares, Two-spirit e Kink.

Mas com a retórica de ser uma Sigla muito grande e de dificílima pronúncia, e com a questão de que continuaria crescendo, surgem outras siglas propostas, como:

  • DNN – diversidades não-normativas
  • RASGKL (LERDGS/RELDSG) – (legalidade e responsabilidade de gênero e sexualidade)
  • NHINCQ+: não hétero, intersexo, não-cisgênero, queer e mais.
  • MOGAI: Marginalized Orientations, Gender Alignments (identities) and Intersex (Orientações de genero e identidades ou alinhamentos marginalizados e intersexo)

Já no Brasil, por volta dos anos 1970, usávamos o nome de Movimento Homossexual Brasileiro (MHB) contemplava homens e mulheres cis homossexuais. E isso durou até início dos 1990, quando o Movimento de Gays e Lésbicas (MGL) foi iniciado, visando incluir as lésbicas, que reivindicavam visibilidade.

Já no meio dos anos 90, GLT se tornou a sigla oficial, significando Gays, Lésbicas e Travestis, e o movimento levantou bandeira contra a epidemia da Aids e a violência que dizimava travestis.

Em 1998, Ativistas vão a Amsterdã e, seguindo o consenso internacional, incluem o “B”, de bissexual, adotado a tempo da 2ª parada do orgulho em São Paulo, transformando a sigla em GLBT. Em 2008, após votação com vários representantes do movimento, o “L” foi para o início da sigla para maior visibilidade às lésbicas, tornando-se LGBT e unificando-se à sigla internacional.

Mas e o GLS?

Bom, acontece que GLS, que significa Gays, Lésbicas, e Simpatizantes, nunca foi a sigla oficial da comunidade, pois não se trata de uma sigla feita para pessoas, e sim uma sigla mercadológica. Ela se referia a estabelecimentos nos quais pessoas LGBT fossem bem vindas, sendo mais próximo de uma versão brasileira de Gay Friendly do que de uma sigla da comunidade.

Compartilhe: