Spacey Indica – Ruan Henrick

O escritor e cantor lançou no final de abril seu segundo álbum, intitulado “Dispensável”

Na foto eu estou sentado no chão, ao lado de uma cadeira de praia. Eu sou uma pessoa branca, com cabelo grande que chega até o ombro, cacheado castanho escuro, tenho um bigode fino. Minha expressão é séria, sento com os braços envolta dos joelhos, os joelhos estão levemente distantes um do outro. Eu visto uma camisa cor mostarda com a estampa de um pug com carinha triste, mas não é visível na foto. Eu também visto um short rosa com flores cinzas. Eu tenho um elástico completamente preto na região do cotovelo esquerdo. A cadeira, ao meu lado, tem sua base de metal, dois descansos de plástico na cor branca. A parte em que se senta, tem seis faixas com diferentes tons de verde. O chão é de madeira, marrom. A parede, atrás de mim, é completamente branca.

Primeiramente, quem é Ruan?

Antes de tudo, uma pessoa. Depois: artista, queer, nb, aroace, pan, escritor, cantor, futuro cientista social, um pequeno infinito dentro de vários infinitos.

Quando começou sua carreira na música?

É difícil definir bem o que é uma “carreira”, mas a primeira vez que pisei em um palco e me apresentei como artista, foi em 2018 em um evento do Sesc de Paraty. Eu devia ter uns 16 anos na época, mal sabia pegar no violão, foi um lance de coragem e amor pelo o que eu almejava ser.

Você estuda Ciências Sociais na UFF, como é conciliar o Ruan estudante com o Ruan músico?

Err… Complicado! Às vezes tenho medo de que o meu ser artista atrapalhe meus estudos, às vezes tenho medo que meu eu cientista social atrapalhe minhas artes, mas a custo do meu corpo e psicológico, eu consigo fazer os dois na beira do penhasco assim. É bom, funciona.

Você lançou o EP “Dispensável” no fim de abril. Qual o conceito dessa obra?

Dispensável foi uma reunião de canções que produzi antes de me mudar pra minha cidade atual. Algumas estavam prontas e gravadas, e só foi um processo de edição e publicação,mas uma em específico, a faixa título, foi gravada aqui na minha casa nova, na minha… Dispensa! Daí vem o trocadilho dispensa-dispensável. Mas o título também vem muito do sentimento de se sentir dispensável mesmo, de existir em um plano além do que as pessoas podem/querem ver. Eu passei por algumas coisas pesadas nos últimos tempos e, esse álbum é minha carta pra outros infinitos: eu sobrevivi e você também pode, eis aqui meu desabafo.

Entre seus singles e EPs, você tem um favorito?

Minha arte tem um tom bem intimista, tudo o que foi escrito e cantado reflete muito sobre experiências que já superei faz um tempo, mas que sempre voltam. Isso torna o revisitar dos meus EPs um lance meio pegado, é difícil reassistir algumas situações que passei, sabe? Aí com essa dificuldade de revisitar, fica difícil decidir um favorito, mas… Barking Pitilho tem Amora – minha cadela – na capa, além de amigos da escola -a própria palavra pitilho é uma piada interna desse tempo-, e isso sempre me deixa feliz. Talvez esse seja o meu xodó.


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