Drag

Drag se refere a um tipo de arte, muito relacionado a performances de expressão de gênero. A performance de gênero em drag é diferente da expressão diária, geralmente de maneira exagerada, e muitas vezes “oposta” (quando se refere à binariedade) ao gênero do indivíduo que faz Drag.

É importante iniciar o texto explicando que, por se tratar de uma performance, Drag não indica a identidade de gênero da pessoa que o performa. Drag não é uma identidade de gênero, e não indica transgeneridade, mas sim uma performance artística.

É um estilo de arte que parte da ideia de performar um personagem, completamente diferente do dia a dia, podendo se utilizar (ou não) de: Um nome diferente, perucas, próteses corporais, binders, espartilhos, roupas, lentes e, principalmente, maquiagem.

A origem do termo drag é um pouco controversa. Alguns dizem que vem de uma anotação que Shakespeare costumava fazer no pé de página de seus textos para se referir a personagens femininos interpretados por homens, já que as próprias mulheres eram proibidas de se apresentar nos palcos. A tal anotação seria referente a “Dressed resembling as a girl”, ou, em português, “Se vestir parecendo uma garota”; outros dizem que drag vem do verbo em inglês “to drag”, arrastar em português, e se refere ao fato de que as longas roupas femininas arrastavam pelos palcos.

Já a origem da arte leva à década de 30 nos EUA, quando pessoas AMAB (designadas como homens ao nascer) consideradas “afeminadas” eram discriminadas, uma vez que rompiam com a norma de gênero e eram inferiorizadas por apresentarem “trejeitos” e se expressarem de formas femininas. 

Antigamente, quando podiam, estas pessoas se organizavam em festas privadas e outros tipos de eventos mais restritos, e aproveitavam para brincar com os papéis de gênero. Isso é útil para a própria identidade, já que permite explorar a própria expressão de gênero, sendo considerado uma “brincadeira”.

Aos homens que se vestiam de maneira “feminina”, foi adicionado o sufixo “queen”; e às mulheres que se vestiam de maneira “masculina”, foi adicionado o sufixo King — sendo assim Drag Queens e Drag Kings. 

Existe também uma terceira categoria, voltada para drags que não se encaixam na binariedade, que é “Drag Queer”, dada a quem busca explorar outras possibilidades e acaba por desempenhar uma estética não-binária, neutra ou andrógina. Existem também artistas que se definem apenas como “Drag”.

Hoje em dia, drag é reconhecido como uma arte que envolve criar uma “persona” e performar não como a si próprio, mas se sentir literalmente como outra pessoa, e por isso é importante sair da ideia de que Drags Queens são “homens” que se “vestem de mulher”, ou que Kings são “mulheres” que se “vestem de homem”. 

Drags são pessoas, que, independentemente da sua identidade de gênero no dia a dia, podendo ser homens, mulheres ou não bináries, “se montam” por vários motivos, e, quando assim os fazem, não pretendem “imitar” ou “se parecer com”, mas sim explorar a própria expressão de gênero — seja de forma “oposta” à designada ou desvendando formas diferentes de feminilidade, masculinidade ou androginia.

O indivíduo que pratica Drag se vê obrigado a repensar e ressignificar os símbolos sociais como a maquiagem, começando pelo autoconhecimento e a quebra de expectativa, já que foge da norma cisgênera do corpo e borra as fronteiras de gênero, expondo que ele é construído. 

No Brasil, a arte drag, conhecida inicialmente como transformismo, despontou também nos anos 90 e acompanhou o cenário internacional na sua evolução, mas durante o período militar houve um grupo, chamado Dzi Croquettes, que trazia elementos drags em suas apresentações. Quando questionados sobre as suas performances, eles costumavam responder: “Nem homem, nem mulher: gente”.

De maneira geral, hoje em dia a arte drag pode aparecer em várias plataformas. São vistas em boates, como a Márcia Pantera; em shows de humor, como a Nany People; em shows musicais, como a Gloria Groove; ou até mesmo fazendo questionamentos sociais no youtube, como a Rita Von Hunty.

Pessoas cis hetero podem fazer drag? Sim. 

Isso faz com que drag deixe de ser uma arte queer? Não. Não só por conta da comunidade ser quem mais consome e pratica a arte drag, mas também porque foge das diretrizes normativas do corpo e é externa à conduta da cisgeneridade.

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