Spacey Indica – Coletânea Fantasiaro

Tendo estreado no dia 21 de fevereiro com o conto A Sociedade das Não-Noivas, escrito por Alanys Aleixo, Fantasiario é uma coletânea de contos com protagonismo arromântico.

capa do conto "a sociedade das não noivas" fundo preto, formas orgânicas em verde claro, verde escuro e cinza. em branco, o nome da autora, Alanys Aleixo, o título (maior que o nome) e o nome do projeto, FantasiAro

O projeto, desenvolvido por Alanys, foi organizado pensando em uma maior variedade de representação arromântica em livros, e teve seu lançamento na Semana da Visibilidade Arromântica, iniciada no dia 20 de fevereiro.

Os demais contos, sendo um total de 06, serão lançados a cada 20 dias. Pensando em trazer um pouquinho mais sobre a iniciativa, a Spacey trouxe uma curta entrevista com Alanys.

O que te motivou a propor uma antologia arromântica?

É muito raro ver histórias com protagonistas arromânticos sendo publicadas. Eu, como arromântica e assexual, via mais histórias com protagonistas aces allorromânticos, e, mesmo sendo ace, aquilo não era pra mim, sabe?

Bateu essa sensação de não ter nada publicado pra mim no mercado. E, se eu sentia isso, outras pessoas também deviam sentir, foi por isso que comecei a escrever histórias com protagonismo arromântico. Mas eu também sou leitora, né?

Fiquei um tempo pensando no que eu podia fazer pra estimular a publicação de histórias com protagonistas aros, até que lá no fim de 2020 me bateu a vontade de organizar uma antologia, mas só tive um surto pra fazer isso mesmo no começo de 2021.

Qual foi a maior dificuldade na organização dela?

Acho que a maior dificuldade foi escrever os contos. Cada uma das pessoas envolvidas na FantasiAro estava com muitas coisas para dar conta e é muito difícil trabalhar com criatividade quando sua vida está uma loucura.

Acho que isso deixa o projeto mais bonito, para mim, já que somos seis pessoas que, apesar de todos os obstáculos, escrevemos coisas com muita qualidade com o objetivo de entregar representatividade com qualidade para as pessoas.

Conte-nos um pouco mais sobre o projeto:

Queria começar com uma curiosidade: não era nossa ideia inicial escrever contos de fantasia, mas fomos conversando e vendo que todos nós estávamos pensando em histórias fantásticas, e ficou FantasiAro. O projeto envolve a publicação de seis contos de fantasia com protagonistas arromânticos, cada um de um autor e cada um com um estilo, a cada vinte dias. Tem bruxa, tem sereia, tem cupido, portal, alma-gêmea, dragão… É o paraíso pra quem gosta de fantasia.

Fale um pouco sobre a antologia em si:

A FantasiAro é fantástica, me perdoe o trocadilho, mas é verdade. Os contos são fantásticos, as histórias são fantásticas… Não tem muitas histórias sobre pessoas arromânticas no Brasil, mas a coletânea vai entregar seis. Não só seis histórias, mas seis boas histórias. São histórias que te fazem voltar porque tem o sentimento de ir para casa.

Por fim, aproveitando que estamos na semana da arromanticidade, gostaria de dar algum recado para a comunidade arromântica?

Estar dentro de espectro arromântico não é fácil se estamos inseridos em uma sociedade que valoriza demais não só os relacionamentos românticos, mas os relacionamentos românticos ideais. Mas a gente existe e os nossos relacionamentos com as pessoas são bonitos, assim como as nossas experiências. É a semana da arromanticidade, e a gente merece muito ela, mesmo que todo ano digam que não.

Espero que, nessa semana aro, nós consigamos dar voz às pessoas do espectro que não se encaixam na arromanticidade estrita e às pessoas que não são assexuais, pois eu as vejo tentando falar mas não sendo ouvidas. Todas as nossas experiências são importantes.


Confira os contos:

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