Queer

Por toda a sua jornada na sociedade, a comunidade LGBTQIA+ buscou ressignificar uma variedade de termos ofensivos ou pejorativos. Entre eles, está a palavra queer, também inserida na sigla da comunidade. Mas o que significa queer? De onde vem essa palavra? Qual a sua trajetória através das décadas e mudanças que ultrapassamos?

Origem, significado e ressignificação:

Queer é uma palavra vinda da língua inglesa e surgida por volta de 1500, e que, possivelmente, deriva-se do baixo alemão queer ― oblíquo, fora do centro ― e se relaciona com as palavras quer, do alemão ― oblíquo, perverso, estranho ―, e twerk, do velho alto alemão ― oblíquo. Ela passa a ser ligada à homossexualidade em 1922, como um adjetivo pejorativo, um xingamento para todes aquelus que se contrapunham às normas de gênero e sexualidade.

No entanto, na década de 80 nos EUA, surgem grupos militantes que adotam a palavra queer como um nome, em busca de tornar o termo positivo e desconectá-lo de seu significado pejorativo. Elus protestavam contra a negligência do governo e da sociedade quanto à epidemia de HIV e aos padrões de gênero e sexualidade. 

Portanto, unindo a palavra a esta proposta, a atuação desses grupos se torna objeto de estudo e pesquisa acadêmica e, em 1990, passam a buscar um sentido positivo ao termo e ao movimento, que ganha o nome de Teoria Queer.

Teoria Queer:

Por meio dos estudos queer, pesquisadories e teóriques criticam a heteronormatividade e discutem gênero como algo performativo.

Um forte contribuinte e teórico queer é Guacira Lopes Louro. Lopes defende que: “Os estudos queer atacam uma repronarratividade e uma reproideologia, bases de uma heteronormatividade homofóbica, ao naturalizar a associação entre heterossexualidade e reprodução”. Isto é, a defesa da heterossexualidade com o único modelo de relacionamento correto e saudável associa-se diretamente à reprodução como resultado das relações sexuais.

Judith Butler, uma das precursoras da Teoria Queer, trouxe a estes estudos observações como a teoria da performatividade. “O gênero é performativo porque é resultante de um regime que regula as diferenças de gênero. Neste regime os gêneros se dividem e se hierarquizam de forma coercitiva”, (Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade; Butler). De modo geral, a teoria da performatividade busca entender como a repetição de normas ritualizadas, criam sujeitos que são resultados destas repetições. Entretanto, aqueles que contornam tais normas, diretamente ligadas aos ideais de masculinidade e feminilidade, sofrem às margens da sociedade.


Referências:

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